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Derramamento de sangue na Cisjordânia: palestino é o sétimo morto por colonos em meio a tensões regionais

A morte de Mohammad al-Malhi marca o sétimo palestino morto por colonos israelenses na Cisjordânia desde a escalada do recente conflito regional, alimentando o alarme sobre o aumento da violência.

DailyWiz Editorial··5 min leitura·574 visualizações
Derramamento de sangue na Cisjordânia: palestino é o sétimo morto por colonos em meio a tensões regionais

Uma vida interrompida nas colinas de Hebron

AL-FAWAR, Cisjordânia ocupada – A Cisjordânia ocupada está a sofrer outra tragédia, quando Mohammad al-Malhi, um agricultor palestiniano de 42 anos, foi morto a tiro na quarta-feira, 15 de novembro de 2023, perto da sua aldeia de al-Fawar, a sul de Hebron. A sua morte constitui um marco sombrio, tornando-o no sétimo palestiniano morto por um colono israelita numa onda de violência que assola a região desde o início do actual conflito regional, que tem assistido ao aumento das tensões geopolíticas envolvendo o Irão.

De acordo com residentes locais e o Ministério da Saúde palestiniano, al-Malhi cuidava dos seus olivais em terras perto do posto avançado israelita ilegal de 'Giv'at Hamad' quando terá sido confrontado por um grupo de colonos armados. Testemunhas relataram ter ouvido tiros antes de al-Malhi ser encontrado mortalmente ferido. Os paramédicos da Sociedade do Crescente Vermelho Palestino chegaram rapidamente, mas não conseguiram reanimá-lo. Ele foi declarado morto no local devido a um tiro no peito.

Al-Malhi, pai de quatro filhos, era conhecido em sua comunidade por sua dedicação à sua terra, que sua família cultiva há gerações. A sua morte provocou uma onda de pesar e indignação em al-Fawar e na região mais ampla de Hebron, intensificando os receios entre os palestinos que enfrentam ameaças diárias às suas vidas e meios de subsistência devido à agressão dos colonos. Gaza. Embora a atenção internacional se tenha concentrado em grande parte na Faixa de Gaza, a Cisjordânia tornou-se simultaneamente um cadinho de tensão acrescida e de derramamento de sangue.

Os dados compilados pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) indicam um aumento significativo nos incidentes relacionados com os colonos. Desde 7 de Outubro, o OCHA documentou mais de 250 incidentes de violência de colonos contra palestinianos, que vão desde assédio e intimidação até destruição de propriedade e ataques directos. Estes incidentes resultaram em ferimentos em dezenas de palestinianos e em danos extensos em terras agrícolas e casas.

Crucialmente, a morte de al-Malhi eleva para sete o número de palestinianos mortos por colonos israelitas durante este período. Para além da violência dos colonos, o número global de mortes de palestinianos na Cisjordânia disparou, com mais de 190 palestinianos, incluindo muitas crianças, mortos pelas forças israelitas ou pelos colonos desde 7 de Outubro, de acordo com o Ministério da Saúde palestiniano. Este período representa um dos mais mortíferos para os palestinos na Cisjordânia em décadas.

A expansão desenfreada e seu custo humano

A violência está indissociavelmente ligada à expansão contínua dos colonatos e postos avançados israelitas, que são considerados ilegais ao abrigo do direito internacional. Estes colonatos, muitas vezes estabelecidos em terras palestinianas privadas, criam focos de conflito, à medida que colonos e palestinianos competem por recursos e território.

As organizações de direitos humanos, tanto israelitas como internacionais, há muito que documentam um padrão de impunidade em torno da violência dos colonos. Grupos como B'Tselem e Yesh Din relatam consistentemente baixas taxas de acusação para colonos envolvidos em ataques contra palestinianos, promovendo um ambiente onde os perpetradores agem frequentemente sem receio de consequências legais. Esta aparente falta de responsabilização agrava ainda mais as tensões e corrói a confiança no Estado de direito.

Os palestinianos que vivem em áreas adjacentes a colonatos e postos avançados, especialmente em South Hebron Hills, enfrentam ameaças diárias à sua segurança, acesso à terra e liberdade de circulação. A presença de colonos armados, muitas vezes sob a protecção das forças de segurança israelitas, cria um ambiente coercivo que muitos defensores dos direitos humanos argumentam ter sido concebido para deslocar as comunidades palestinianas.

Apelos à Protecção e Responsabilidade

A Autoridade Palestiniana condenou veementemente o assassinato de al-Malhi, chamando-o de “acto bárbaro de terror” e instando a comunidade internacional a fornecer protecção imediata aos civis palestinianos. Mustafa Barghouti, chefe da Sociedade de Assistência Médica da Palestina, declarou: "Essa violência desenfreada dos colonos, muitas vezes apoiada pela presença militar, é uma estratégia deliberada para aterrorizar os palestinos e confiscar mais terras. O mundo deve agir para impedir esses crimes." e para proteger os civis palestinos. Organizações internacionais de direitos humanos, incluindo a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch, fizeram eco destes apelos, exigindo investigações completas e transparentes sobre a morte de al-Malhi e todos os outros incidentes de violência dos colonos.

“A comunidade internacional não pode dar-se ao luxo de desviar o olhar da Cisjordânia”, afirmou um porta-voz de um proeminente grupo de direitos humanos. “A natureza sistemática desta violência, juntamente com uma cultura generalizada de impunidade, exige uma intervenção urgente para salvaguardar vidas humanas e defender o direito internacional.”

A trágica morte de Mohammad al-Malhi não é um incidente isolado, mas um sintoma evidente de uma situação profundamente enraizada e em rápida deterioração na Cisjordânia. À medida que as tensões regionais continuam a ferver, a necessidade urgente de desescalada, responsabilização e proteção das vidas civis nunca foi tão crítica para evitar mais instabilidade e sofrimento humano.

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